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Esperança

  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

Incentive as pessoas a continuarem fazendo aquilo que fará do mundo um lugar melhor pra se viver. 


Hoje fui a uma cafeteria e um atendente prontamente me disse “Por favor, aguarde um momento que nós já vamos atender.” Sorri, agradeci e aguardei.




Fui atendida muito bem, como de costume, e fui me sentar com meus fones e meu notebook, pronta pra começar mais uma tarde de trabalho.


Vi uma moça sentar com o atendente em uma mesa próximo a mim e imaginei que estariam em sua pausa do trabalho, já que ambos portavam uma xícara de café.

Não passou muito tempo, notei que ele chorava. E a moça parecia ser sua gerente. 


Foi uma conversa longa, mas tranquila. Obvio que mantive a musica alta em meus fones e evitei olhar para eles com toda minha energia. 

Não sei do que se tratava.

Não sei se era um retorno negativo sobre o trabalho do rapaz, ou se ele havia perdido uma pessoa querida. Poderia ser também um término de relacionamento, ou a descoberta de alguma notícia ruim.

Eu não faço ideia do que ele sentia. 

Poderia ser medo, angustia, raiva, dor. Parecia tristeza. Dessas que deixam um vazio

grande nos olhos da gente, apático, sem brilho. 


Não importa. O que vi ali foi que a moça estava atenta. Ela falava com ele, dedicava tempo, atenção. Ela via ali uma pessoa que, mesmo em horário de trabalho, precisava ser acolhida, ser enxergada. Precisava ser ouvido, precisava saber que não estava sozinha, fosse no que fosse.


Eu vi empatia. Vi contato humano.


Vi algo acontecer de maneira orgânica, analógica.

Não haviam selfies, não haviam telefones. Tampouco havia peso na atmosfera do discurso.

Conforme conversavam, a expressão dele se suavizava, ia perdendo aquele tom triste e dava espaço pra um olhar mais contemplativo, como quem busca refletir, sabe!?


Após uns 25 minutos de conversa, eu vi um sorriso. Era um sorriso de quem percebe que o mundo não acabou ainda e que tem muita água pra passar embaixo dessa ponte. Acho que ele conseguiu se achar naquele emaranhado de pensamento e sentimento, e finalmente puxou o fio que amarrava tudo isso. 


Eles se levantaram, ambos com leveza no rosto. E voltaram a seus afazeres.


Queria dar um abraço na moça. E dizer pra ela o tamanho da importância daquilo que ela fez. 

Meu marido fala que o bem mais precioso que temos é o tempo. O tempo não é renovável. Podemos vender nosso tempo, porém não se pode comprar mais tempo. É algo raro, escasso. Tempo vale mais que diamantes e ouro.

Ela deu o tempo dela pra ouvir alguém que não estava bem. E talvez ela tenha feito a diferença na vida de mais outras pessoas naquele momento, além da vida daquele rapaz. E da minha. Talvez ela tenha acabado de transformar a forma como ele vai lidar com a atendente do mercado onde ele vai passar após sair do trabalho. Talvez ela tenha acabado de mudar a forma como ele vai falar com a família dele, ao chegar em casa. Pode ser ainda que ela tenha mudado a forma como ele vai se olhar no espelho, quando for escovar os dentes antes de deitar na cama.

Pode ser que ele busque um livro antes de dormir, ao invés de um remédio. 

Pode ser que ele procure um novo motivo para acordar amanhã ao invés de procurar uma maneira de terminar com a vida dele hoje. 


Moça, obrigada por ter se importado com esses rapaz hoje. Sem querer você pode ter mudado a vida dele de alguma forma. Pode ter contribuído com a vida de várias outras pessoas que ele encontrará no caminho pra casa. 

Pode ter certeza de que você fez algo por mim hoje. Você me deu esperança de que o mundo ainda pode ser melhor. E era disso que eu mais precisava no dia de hoje.




 
 
 

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