Ironia
- Juliana Cremonine
- 18 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
A vida da mãe é uma eterna ironia.
As vezes me pego pensando: Se Deus é capaz de criar tudo do mais absoluto zero, ele não precisava colocar a reprodução no roll de habilidades do ser humano. Então pra quê?
Aí eu cheguei a conclusão de que não é por nada além de diversão. A comédia divina, versão simplificada.
Você abre um doce - a criança aparece.
Você coloca um vídeo de besteira - o filho chega junto bem na hora do palavrão.
Você decide namorar um tiquinho - a criança vem chorando porque sonhou que uma laranja com olhos e boca a perseguia pela rua.
Fatos reais.
Só fico imaginando uma platéia de espíritos entediados rindo das ironias da vida de quem tem carne, sangue e ossos pra se gabar. (Será que espíritos sentem coceira-fantasma na sola do pé? Enfim…)
A maior ironia da minha vida nesse mês foi que, após o guri ter uma gripe alarmante na semana e passar para todos da casa, na primeira noite-pós apocalíptica (entenda por jejum total de 36 horas pela dor de garganta e vômitos), os olhos dele incharam e coçaram a noite toda.
Mais uma noite pessimamente dormida e bora pro pronto-socorro entender o que está acontecendo. Conjuntivite. E todos pegariam futuramente também.
Aí vem a piada:
Saio do hospital e, ao avistar meu carro, avisto também duas moscas fazendo vuco-vuco na janela do meu carro.
Eu ali incrédula em como a natureza desdenha da sorte do ser-humano.
Assisti de camarote à essa pouca vergonha só conseguindo ter um único e solitário pensamento:
tomara que engravide!











Comentários